domingo, 9 de outubro de 2011

Rock In Rio: "Hoje é dia de quebrar o preconceito, bebê!"



“Hoje é dia de ROCK, bebê!”

Passado exatos sete dias do término do “maior festival de música do mundo”, como Zeca Camargo fez questão de enfatizar a cada vez que apresentava alguma atração do evento na transmissão da Rede Globo, ainda me vem à mente cada apresentação assistida, em alguns momentos com os olhos esbugalhados de sono, em outros com o êxtase comparado a quem teve a oportunidade de presenciar pessoalmente as apresentações do RiR. Porém, começo esse texto com a pérola acima, por refletir bem os sentimentos que quero compartilhar com vocês nessas linhas. 




Esta frase, proferida pela atriz Cristiane Torloni em EENI (Estado Etílico Não Identificado) marcou a quarta edição do Rock In Rio em terras nacionais, de onde eu acho, em minha humilde opinião, que nunca deveria ter saído. A idéia de criar ‘franquias’ em Lisboa, Madri e o quartzo a quatro pode até ter gerado mais grana para as reservas do empresário Roberto Medina e Cia., porém, soa completamente non sense a idéia de levar um festival marcado pelo nome de uma cidade brasileira em países da Península Ibérica. Assim, faço minhas as palavras ditas uma vez pelo vocalista do Iron Maiden, Bruce Dickinson: Rock In RIO, somente no RIO. Ponto.

Voltando à pérola dita pela atriz global chapada, independente do fato da mesma ter feito tal afirmação em um dia que NENHUMA atração do estilo que conhecemos como rock tenha se apresentado, é curioso e estranho observar as reações das pessoas no decorrer deste último ano, conforme foram divulgadas as atrações do evento. Comentários diziam que o RiR carecia de atrações de rock e metal, que deveria se chamar “Pop in Rio” ou  mesmo “Axé in Rio”, e outras baboseiras do tipo. Porra, tais afirmações só podem ter sido ditas por gente que nunca ouviu falar do festival ou é completamente isolada do que acontece em termos de música por aqui.

Quem procurar se informar ao mínimo sobre a história do festival se surpreenderá ao constatar que o Rock in Rio NUNCA foi um festival exclusivamente de rock ou metal, mas sim um encontro de atrações de forma a agradar (ou tentar) a todos os gostos musicais. Artistas como James Taylor, Ivan Lins, Gilberto Gil, New Kids On The Block, Elba Ramalho, Moraes Moreira, Sandy & Júnior, Britney Spears e dezenas de outros se apresentaram, muitos vaiados e alvos de garrafas voadoras com urina (Carlinhos Brown que o diga), outros poucos ovacionados. Felizmente, foram poucas as manifestações hostis na edição de 2011, porém a idéia de mesclar estilos diferentes ao longo dos sete dias do festival se manteve.

Para minha surpresa, confesso que algumas atrações que jamais imaginei assistir, por puro preconceito ou desconhecimento, me prenderam no sofá e causaram impressões bastante positivas, caso de Kate Perry, Rihanna, Jamiroquai, Steve Wonder, Shakira e Coldplay, outras, continuarei mantendo distância até que consigam me provar o contrário em outra ocasião ou festival, como as "rainhas do axé" Cláudia Leitte e Ivete Sangalo, Snow Patrol, Maná e outros menos cotados. 

Realmente, esta edição do Rock in Rio me fez quebrar várias ideias pré concebidas sobre os artistas citados acima e possibilitou que eu procurasse saber mais sobre a carreira dos mesmos, conhecendo melhor seus trabalhos...

Se Cristiane Torloni estivesse sóbria, a frase poderia ter sido outra:

"Hoje é dia de quebrar o preconceito, bebê..."

Por Tiago Neves