sábado, 30 de agosto de 2014

O fim da música no formato físico


Era pra ser um sábado normal.

Era.

Em meu costumeiro passeio matutino pelo comércio de Belo Horizonte, é de praxe passar em uma ou outra loja de discos pra olhar as novidades que por lá aparecem. Volta e meia encontro algum disco que me agrada, com um preço atrativo. Confesso que esse é um trabalho árduo, até porque desde que me mudei pra beagá, raramente compro algum CD ou DVD, por uma questão de espaço e por não ter mais tempo para ouví-los em casa. Mesmo assim, costuma ser bem prazeroso estar no mesmo ambiente que centenas de lançamentos bonitinhos, embalados e cheirando a novo.

Ou melhor, costumava.

Já faz algum tempo que me surpreendo com os preços arbitrados por algumas lojas e megastores em cima de discos que trazem pouco ou nenhum atrativo que justifique tal valor. Mas hoje para mim a pá de cal foi jogada definitivamente em cima do formato físico, da mesma forma que esse mesmo formato já foi sepultado há anos para 99,9% do mercado consumidor (até então eu fazia parte com orgulho dos 0,01% de colecionadores que fecham essa soma).

O motivo? Bem, ao entrar em uma loja de uma grande rede de livrarias daqui, me deparei com o grande, super, mega, hiper lançamento do ano. O novo CD do Mastodon - Once More 'Round the Sun. Não é novidade pra ninguém que considero esse o trabalho mais relevante lançado em 2014, o qual dificilmente será superado. Enfim, o grande disco do ano estava ao alcance de minhas mãos para aquisição. Esse sim, um trabalho que justificaria que eu abrisse a carteira e desembolssasse alguns tostões para apreciá-lo em meu aparelho de som.

Minha alegria não durou mais do que alguns segundos. O suficiente para olhar a etiqueta afixada ao disco e observar o valor atribuído à ele pelo estabelecimento:


Obviamente, não levei o disco. Como eu sempre digo: acho um ABSURDO gravadoras e lojistas cobrarem mais de 30 dilmas por um disco simples, com encarte idem e embalagem jewel case, como é o caso deste, e outros que eu vi no mesmo estabelecimento, a saber: os mesmos R$ 39,90 são cobrados pelo último lançamento homônimo do Dream Theater, e R$ 35,90 (!) pelo pavoroso Dance of Death (2003), do Iron Maiden. Por essas e outras abandonei definitivamente o formato físico. Morreu. Acabou. The endC'est finiSalvo raríssimas exceções, nem digipacks chamam mais minha atenção. Devo retomar meu instinto colecionador-oldschool-saudosista quando eu adquirir meu tão desejado toca-discos de vinil. Talvez nem assim. Quem sabe. 

Já faz algum tempo que venho apreciando o formato de música via straming. Experimentei o Deezer, assinei por alguns meses o Rdio, e migrei pro Spotify, o qual tem atendido perfeitamente minhas necessidades musicais. Sem ocupar espaço. Sem valores exorbitantes, muito pelo contrário, por um valor justíssimo tenho acesso a milhões de músicas, de forma legal e em tempo real, sem ter que esperar por downloads ou coisas do tipo. Meu acervo musical físico jaz na casa dos meus pais no distante vilarejo de Três Rios-RJ. E muito provavelmente ficará sepultado por lá, pois não sinto necessidade alguma de tê-los por aqui.

E assim, continuo amando, ouvindo e apreciando a música em todas as suas diversas vertentes na mesma proporção na qual vou adquirindo repulsa pelos seus formatos físicos.

Por Tiago Neves