segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Os 28 anos do lançamento de Somewhere In Time, meu portal de entrada no universo do Iron Maiden


O ano era 2002. Ainda dava meus primeiros passos no descobrimento desse novo estilo que estava começando a ouvir. Como todo adolescente da minha geração, fui iniciado nos caminhos do rock ouvindo bandas como Legião Urbana e Guns N' Roses. Cada vez mais interessado nesse tipo de som, e depois de tantas fitas K7 gravadas de amigos (sim, esse ainda era o formato de música que eu ouvia à época), era a hora de dar um passo além. Sim, estava decidido a comprar meu primeiro CD. Ainda não sabia qual seria, nem o impacto que ele teria na minha vida pelos anos seguintes.

Ao passar por uma das únicas lojas que vendiam discos originais na minha cidade natal à época, me deparei com alguns CD's de uma certa banda chamada Iron Maiden. Conhecia um pouco o grupo após a sensacional apresentação deles no Rock In Rio do ano anterior, e também tinha gravado em fita K7 o último lançamento deles - Brave New World. Após admirar por alguns longos minutos a vitrine com tantas capas magníficas, me chamou a atenção em especial uma certa ilustração com um cyborg monstruoso na capa, que também era recheada de outros detalhes, que eu viria a descobrir alguns anos depois.

Não pensei duas vezes. Comprei na hora o esse disco com a capa mais bela da vitrine, chamado Somewhere In Time. Paguei caro. Na época era quase quarenta reais o disquinho simples, com faixa multimídia. Hoje acharia um absurdo pagar por esse valor, mas pra um jovem adentrando na vida adulta, pouco importava o preço, só queria chegar em casa e apreciar esse disco, imaginando que se a música fosse tão legal quanto sua capa, estava levando uma verdadeira obra de arte para minha residência, e justificando pagar tanto.

E era.

Muito melhor do que eu poderia imaginar, e bem mais do que o pouco que eu já conhecia da banda. Aos primeiros acordes de "Caught Somewhere In Time", não tive dúvidas que estaria ouvindo o melhor disco que eu já tinha conhecido até então. Na verdade, até hoje ainda sustento essa opinião. Coincidentemente lançado no mesmo ano do meu nascimento (1986), o trabalho mostra uma evolução em relação a sonoridade apresentada pela banda em seu trabalho anterior - Powerslave (1985). Com um clima futurista, altamente influenciado pelo filme Blade Runner - o grande blockbuster da época - Somewhere In Time apresenta pela primeira vez a inclusão dos polêmicos sintetizadores, que causaram a torção de muitos narizes de fãs mais ferrenhos. Hoje renegado quase que por completo pela banda, apesar da turnê recente que relembrou os "Wasted Years" dessa época, batzada de Somewhere Back In Time, a banda praticamente não possui gravações ao vivo dessa época, que contou com a melhor produção de palco, com direito a bateria alçada aos ares pela cabeça inflada do cyborg da capa (que descobri algum tempo depois que se tratava de uma das versões de Eddie, o mascote da banda). Com um jogo de luzes em profusão à altura do espetáculo futurista, roupas chamativas - destaque para a vestimenta luminosa do vocalista Bruce Dickinson, seria absolutamente fantástico um registro ao vivo dessa época, mas infelizmente ficamos restritos aos bootlegs que existem aos montes aí pela internet.

Sobre o disco - que contou mais uma vez com a produção sempre certeira de Martin Birch - é inevitável mencionar a característica sonoridade levemente mais comercial deste trabalho, com algumas referências ao hard rock americanizado que era executado à exautão nessa época, o qual podemos constatar na sensacional "Stranger In a Strange Land", e em várias passagens de outras composições. Assim como seu antecessor, Somewhere In Time também foi composto e gravado em Nassau, nas Bahamas, e também em Hilversun, na Holanda. Dessa vez, o líder soberano Steve Harris não estava sozinho à frente das composições, que contaram em grande parte com o brilhantismo do guitarrista Adrian Smith. Autor principal de três das oito músicas do disco, Smith direcionava cada vez mais o som para caminhos mais melódicos, tão intenso em peso quanto os trabalhos anteriores, mas com uma sonoridade mais limpa e cristalina. As composições de Dickinson, que até Powerlave ainda apareciam com alguma frequência, não foram utilizadas neste disco.

               

Bem como sugere o título, Somewhere é uma viagem no tempo, através dos séculos, culminando na épica "Alexander The Great", contando a história do mais célebre conquistador do mundo antigo. Com passagens memoráveis como as de "Heaven Can Wait", que ao vivo tem o seu "ôôô" cantado por toda a equipe de roadies da banda no palco, todas as composições apresentam praticamente mesmo nível de qualidade, tornando esse trabalho um dos mais homogêneos de toda a vasta discografia da donzela.

Somewhere in Time foi minha porta de entrada na discografia dessa que é uma das minhas bandas favoritas desde sempre. Até hoje considero esses pouco mais de cinquenta minutos registrados em disco como alguns dos melhores momentos já registrados em disco pelo Maiden. O valor nostálgico desse disco, que hoje pode até soar datado, é bem maior do que o preço pago pelo mesmo.

P.S.: Finalizando o texto, descobri que por absoluta e incrível coincidência, completam-se hoje exatos 28 anos do lançamento de Somewhere In Time. Para comemorar, voltarei para algum lugar do tempo (ops) ouvindo esse maravilhoso disco. :)

               


Músicas:
01 - Caught Somewhere in Time
02 - Wasted Years
03 - Sea Of Madness
04 - Heaven Can Wait
05 - The Loneliness of the Long Distance Runner
06 - Strange in a Strange Land
07 - Dejà Vu
08 - Alexander the Great


Por Tiago Neves