sábado, 6 de setembro de 2014

The Birds of Satan - The Birds of Satan (2014)


Parece que o baterista e parceiro de longa data de Dave Grohl no Foo Fighters, Taylor Hawkins, aprendeu direitinho com o patrão a alçar outros voos em uma infinidade de trabalhos paralelos à sua banda original. Hawkins se juntou a Wiley Hodgen (backing vocals e baixo) e a Mick Murphy (guitarra) e gravou os vocais e bateria das sete músicas que configuram o tracklist de seu mais novo projeto, chamado The Birds of Satan.

Apesar do nome sugerir um som mais profano, a fórmula usada para seu autointitulado trabalho de estreia, na falta de outro termo, pode ser classificada como “hard rock psicodélico”, com um toque de diversão e despretensão facilmente perceptíveis a quem o escuta. Se em alguns momentos a impressão que se tem é a de estar ouvindo um novo disco do Foo Fighters, tamanha a semelhança com a sua banda principal (aliás, neste disco participam como convidados especiais ninguém menos que... Dave Grohl e Pat Smear, seus parceiros em sua empreitada principal), em vários momentos a experimentação e mudanças inusitadas de ritmos e andamentos ditam as regras, ao longo de pouco mais de meia hora de duração.

Logo de cara esse caráter experimental pode ser ouvido nos nove minutos de pura psicodelia em “The Ballad of the Birds of Satan”, uma odisseia que segue por caminhos inesperados e, ao mesmo tempo, divertidos. Apesar de apresentar boas canções e um excelente trabalho instrumental junto à banda, Hawkins ainda carece de certo amadurecimento em seus vocais, o que certamente será desenvolvido e melhorado para seus futuros e bem vindos lançamentos. 

Outros destaques neste trabalho são as excelentes “Pieces of the Puzzle”, que, como já dito antes, não faria feio em um disco dos Foo Fighters, tamanha a semelhança com o repertório desta. “Wait ‘Til Tomorrow”, com andamento acelerado, curta duração (menos de três minutos) e um interessante solo de guitarra, também pode ser considerado destaque e uma das melhores do play.

O encerramento melodramático com “Too Far Gone to See”, uma balada com uma introdução que remete diretamente á sonoridade de “Dream On”, do Aerosmith, apresenta em seus cinco minutos cores e passagens interessantes comandadas por violões e teclados que encerram o disco já nos fazendo esperar pelo que virá nos próximos lançamentos dos “passarinhos satânicos” (e muito divertidos, diga-se de passagem). 


Músicas:
1 - The Ballad of the Birds of Satan
2 - Thanks for the Line
3 - Pieces Of The Puzzle
4 - Raspberries
5 - Nothing at All
6 - Wait Til Tomorrow
7 - Too Far Gone to See




Por Tiago Neves
(Texto originalmente publicado no site Collectors Room em 13 de maio de 2014)