terça-feira, 1 de março de 2016

O que foi o desafio #MWE - Music Writer Exercise: os 29 discos ouvidos em fevereiro (+ 01 bônus)


Há alguns anos, venho tentando escrever sobre música. E confesso que às vezes não é uma tarefa fácil colocar no papel um texto claro e conciso expressando minhas opiniões acerca de algum disco ou qualquer assunto relacionado a esse campo tão vasto que é o universo dos sons.

Por isso me interessei tanto por um desafio lancado no Twitter por um crítico musical americano chamado Gary Suarez, que escreve atualmente para a Forbes e já trabalhou em vários outros veículos, como Billboard, MetalSucks e Noisey. A tarefa - aparentemente simples - consistia em resenhar, no limite dos 140 caracteres do microblog um disco nunca ouvido antes a cada dia do mês de fevereiro. 

A missão de encurtar um texto em poucas palavras que expressassem minha opinião sobre um trabalho que eu nunca havia escutado antes já tornaria este desafio tão intrigante, uma missão cada vez mais difícil em um mundo rodeado de "textões" que infestam as redes sociais.

Confesso que não cumpri o desafio à risca. Sim, tive o trabalho de selecionar discos até então desconhecidos por mim, mas não ouvi um por dia, como regrava o desafiante. Titubeei em alguns dias por preguiça, mas recuperei o tempo perdido em outros, ouvindo em um só dia até mesmo cinco discos nunca escutados antes.

Além de aprimorar um pouco minha escrita, o mais interessante de tudo aqui foi o prazer (ou o desprazer, dependendo do àlbum) de conhecer três dezenas de discos em apenas um mês. Trabalhos os quais eram totalmente desconhecidos, ou que eu já tinha escutado uma ou outra música deles.

Compilei aqui nessa postagem todos os discos que foram ouvidos e resenhados lá no Twitter, com mais um disco de bônus pra fechar a conta dos 30 discos em um mês. Me mantive rigorosamente ao que foi escrito nos textos tuitados, sem alterações, mantendo a característica do desafio.

A lista é farta e tem de tudo: blues, MPB, metal em diversas derivações, discos ao vivo, compilações e tributos, indo dos anos '70 até trabalhos recém saídos do forno em 2016.

Sem mais delongas, confira abaixo quais foram os trabalhos analisados. E não deixe de comentar sua opinião sobre qualquer um deles:


01 - Rory Gallagher, Calling Card (1976)


Bluesão com pegada feroz e momentos de calmaria, fonte de água pura onde SRV bebeu sem medo.


02 - Def Leppard, Def Leppard (2015)


Produção carregada, ainda insistem em tentar a fórmula do enorme sucesso de Hysteria. Falharam.


03 - Samson, Head On (1980)


"Thunderburst" é uma versão de "The Ides of March" que o Maiden gravou no Killers em '81. Dickinson bruto.


04 - Novos Baianos, Acabou Chorare (1972)


A genialidade de unir bossa, samba e solos virtuosos o torna um dos discos mais importantes da MPB.


05 - Nailbomb, Point Blank (1994)


A raiva que sobrava no Max à época do Sepultura com elementos de industrial em projeto com Alex Newport.

06 - Rush, Grace Under Pressure (1984) 


O ápice da tecladeira no som do trio, sem afetar os riffs de extremo bom gosto de Alex Lifeson.


07 - Scorpions, Lovedrive (1979)


Divisor de águas, já indicando os rumos que a banda tomaria nos anos '80. Boa estreia de Mattias Jabs.


08 - Van Halen, OU812 (1988)


Melodias grudentas e maçantes em um dos discos menos inspirados da fase Hagar. Poucas músicas dele se salvam.


09 - Pastors of Muppets, Pastors of Muppets (2014)


Tal qual uma big band do metal, guitarras dão lugar a saxofones em clássicos do rock. Bem bom!


10 - Voodoo Circle, Wisky Fingers (2015)


Hard Rock influenciado no que o Whitesnake vem gravando recentemente, bem inferior ao original.


11 - The Black Crowes, Amorica (1994)


Rock setentista, southern e a melancolia do grunge se unem numa combinação infalível e interessante.


12 - Alcatrazz, Live Sentence (1984)


Neste ao vivo, a voz de Graham Bonnet quase põe tudo a perder, mas tem o Malmsteen pra salvar tudo.

13 - Manowar, Warriors of the World (2002)


A falsa grandiloquência dessa pataquada o coloca facilmente entre os piores discos do metal.


14 - Kiko Loureiro, Fullblast (2009)


A versatilidade e a técnica do guitarrista não ajudam em músicas que parecem demonstração de pedal.


15 - Orchid, Capricorn (2011)


Na melhor escola Sabbath, a banda oferece um stoner vigoroso com nuances cadenciadas e vocais marcantes.


16 - Al Di Meola, In Your Life (2013)


Com seu virtuosismo, o violonista desconstrói clássicos intocáveis dos Beatles. Belíssimas versões!


17 - Adler, Back From the Dead (2012)


A estreia solo do baterista original do Guns esbarra na mesmice do hard rock norte americano atual.


18 - Slayer, God Hates Us All (2001)


Mais cadenciado, não perde em intensidade, e apresenta um Araya mostrando nuances vocais diferentes.


19 - Torture Squad, Pandemonium (2003)


Com um thrash que flerta fortemente com o death metal, um excelente e brutal trabalho de guitarras.


20 - Raubtier, Bärsärkagång (2016)


Metal industrial cantado em sueco, porém com os títulos em alemão. Inusitado? Não mais que os vocais.



21 - Sweet Leaf - A Stoner Rock Salute to Black Sabbath (2015)



Dezesseis crias dos fundadores do gênero prestam tributo em interessantes versões.


22 - Hellyeah, Band of Brothers (2012)


Há semelhanças com a banda anterior de Vinnie Paul, metalcore onde o destaque obviamente é a bateria.


23 - Rammstein, Mutter (2001)


O divisor de águas da banda. A fórmula dos discos anteriores vem somada de uma pomposidade jamais vista.


24 - Judas Priest, Rocka Rolla (1974)



A estreia de um dos expoentes do metal traz uma inocência distante da fúria das décadas seguintes.


25 - Bruno Sutter, Bruno Sutter (2015)



Alguns bons momentos, porém impossível desvincular seu criador da persona caricata do Detonator.


26 - Made in Brazil, Minha Vida é Rock n' Roll (1981)



Toda a malícia e despojamento de um dos mais icônicos nomes do estilo no país.


27 - Motorocker, Rock na Veia (2010)


AC/DC cantado em português, cópia fiel da banda australiana com letras inocentes sobre diversão.


28 - Royal Republic, Weekend Man (2016)


Banda sueca que aposta na sonoridade do indie rock americano, bem na linha The Strokes. Razoável.


29 - Neon Warship, Neon Warship (2013)


Sua estreia apresenta um stoner peculiar e arrastadão com vocais que às vezes remetem aos de Ozzy.


30 (Bônus) - Huntress, Spell Eater (2011)


Mescla de heavy metal com estilos mais sombrios. Vocais femininos gritados são o ponto baixo do disco.