domingo, 31 de dezembro de 2017

O que eu vivi e ouvi em 2017



2017. Mais um ano ou menos um ano?

Independentemente de sua resposta, podemos dizer que o ano que se encerra hoje nos brindou com maravilhosos e surpreendentes discos, os quais alguns dos meus favoritos estão na lista que segue abaixo. Como já é tradição aqui no blog, esta edição do "o que eu vivi e ouvi", como sempre, apresenta meus comentários sobre os discos que mais me chamaram a atenção nesse ano, sendo a lista sem ordem de preferência e com seus títulos com links para audição dos mesmos no Spotify.

Sem mais delongas, vamos direto a eles, porque esse ano a lista aumentou, e não consegui deixar nenhum desses discos de fora da lista dessa vez. 

Vamos conferir?

Criolo - Espiral de Ilusão



Ficou em mim certa dúvida e até mesmo desconfiança quando o até então considerado "rapper" Kleber Cavalcante Gomes, mais conhecido como Criolo, anunciou que lançaria um disco exclusivamente dedicado ao samba de raiz. Mesmo com uma ou outra (boa) música em seus trabalhos anteriores remetendo a esse estilo, pairou a dúvida de como este seria. Pois bem, ele veio com "seus larará e lararauês" em 10 sambas deliciosamente bons de se ouvir numa roda de amigos com uma boa cerveja gelada. Lançado nas plataformas digitais em 28 de abril deste ano, curiosamente no mesmo dia de manifestações e greves gerais pelo país inteiro, o cara dá o tom do atual cenário político e social atual, e mantendo a "malandragem" já tradicional do estilo. Para mim, indiscutivelmente não foi lançado no Brasil nada melhor do que Espiral de Ilusão, que em pouco mais de meia hora nos dá o fino grão do samba em sua melhor versão.




Quando me apresentaram Unlikely esse ano, eu jamais imaginaria que essa banda de stoner rock é nossa, brasileira e, sem preconceitos, menos ainda que fosse do nordeste (a banda é de Natal- RN). Apresentando a banda no auge de sua carreira, o disco é baseado em guitarras vigorosas e na presença vocal de Emmily Barreto. Surpreendentemente bom, curto e grosso, o Far From Alaska certamente pode ser considerado a grande revelação nacional no estilo, saindo do circuito indie para se apresentar em festivais no país e também fora dele.




Já no finalzinho deste ano o Ghost B.C. nos surpreendeu novamente e finalmente lançou seu primeiro disco ao vivo, mesclando músicas de seus três discos, a banda abre o show já com a excelente "Square Hammer", do seu Último EP Popestar (2016). Apesar da decepção que o show deles que presenciei no Rock in Rio de 2013 me causou, aqui a banda mostra todo seu vigor frente a um público, e boa parte dele devido à nova identidade visual e performance de seu vocalista Papa Emeritus III, claramente mais pop e menos "satânica" que os Papas anteriores representados pelo mesmo Tobias Forge (agora que já é sabido por todo mundo a verdadeira identidade ao menos do vocalista). Um show incrível, com toda a banda tocando acima da média!  Posso dizer abertamente que este era o show que eu gostaria de ter visto em 2013, mas que foi maculado pela desafinação do vocalista, a performance fraca da banda no festival e do nonsense de Roberto Medina, que os colocou na fogueira do palco Mundo, ao invés do Sunset, onde a recepção e performance certamente seriam diferentes. 




Iron Maiden é uma das minhas bandas favoritas, isso é inegável. Mas ver (o show foi transmitido em streaming pela banda no YouTube) e ouvir The Book of Souls: Live Chapter só me fez fechar os olhos e me remeter ao show desta turnê que eu pude presenciar em 2016 aqui em Belo Horizonte. Já é normal a banda capitaneada por Steve Harris lançar um show ao vivo após cada disco lançado após Brave New World (2000). Mas este adquiriu um lugar especial em minha coleção por ter podido assisti-los ao vivo novamente, apenas cinco dias antes do acidente automobilístico que sofri nessa época. Memória afetiva mode on!




De Roger Waters já sabemos o que podemos esperar: canções lamuriosas, ácidas e de protesto. Não foi diferente em Is This the Life We Really Want, que em seu merchandise pré lançamento usou até a imagem de nosso presidente "Fora" Temer em divulgação nas redes sociais aqui no Brasil. Os tais lamentos nesse caso são, entre outros, contra a política de centro-direita atual, com letras contendo fortes críticas implícitas e explícitas em suas letras à Donald Trump. A parte musical não decepciona, e em muitos momentos nos remete à sonoridade do Pink Floyd, sua banda original, inclusive com canções que nos lembram a fase do Floyd pós-Waters, como em "Picture That". Genial, pra variar! E que venha logo 2018 com seus shows já confirmados no Brasil da atual turnê "Us + Them". 




Sou fã confesso desta banda norte-americana, mas verdade seja dita: Emperor of Sand definitivamente não empolga. Mantém a mesma fórmula de Once More 'Round the Sun (2014), inclusive em canções "auto-ajuda" com uma veia mais pop, como "Show Yourself". Até mesmo o EP Cold Dark Place, lançado também nesse ano poucos meses depois, consegue mostrar mais vigor e inspiração do que neste trabalho. Apenas ok.




Finalmente podemos dizer que o Sepultura adquiriu uma identidade musical própria que os distancia do mimimi chato de boa parte dos fãs acerca da questão Max Cavalera versus Derrick Green, sendo este o melhor e mais consistente trabalho lançado após a saída de Max da banda. Brutal e absurdamente técnico (por partes me fez pensar estar ouvindo Dream Theater), e sem abandonar suas raízes (sem trocadilhos com Roots, seu maior clássico), a banda parece enfim ressurgir das cinzas e estar em sua melhor fase da carreira. Excelente!




Com uma veia bem mais intimista e acústica e tão curto quanto seu título (apenas 27 minutos) Tu, mostra a artista em sua essência e mais uma vez dá bola dentro em sua impecável discografia. Com novas composições e algumas releituras de canções de trabalhos anteriores, este é o disco perfeito para se ouvir num final de dia cansativo, por sua suavidade e delicadeza junto aos violões de seu parceiro musical e irmão, Gustavo Ruiz Chagas. Vale a pena, e muito! 




A banda do eterno ex Nirvana Dave Grohl infelizmente caiu na mesmice, lançando um disco de qualidade semelhante a Sonic Highways (2014) e muito inferior a Wasting Light (2011). "Run", seu primeiro single (com um divertidíssimo videoclipe, aliás), até deu uma certa esperança de que vinha coisa boa pela frente, mas a esperança acabou ao ouvir o trabalho completo. Chato e burocrático, pra dizer o mínimo.


Fazendo referência ao clássico filme-espetáculo do Pink Floyd realizado nas ruínas de Pompéia em 1972, Gilmour retorna à Itália, agora em carreira solo (mas convenhamos, ele é a alma e maior referência do Pink Floyd atualmente), em um grandioso show, agora com público (o filme de '72 foi feito sem platéia), e um repertório baseado nos clássicos de sua banda original mesclado com canções de seu mais recente disco de inéditas Rattle That Lock (2015). Tal grandiosidade foi refletida no lançamento mundial do espetáculo nos cinemas de todo o mundo e no lançamento deste em CD, DVD e Blu-Ray. Como sempre, é impossível não se emocionar ouvindo "Comfortably Numb". Imperdível!


Menção Honrosa:




Apesar de ter sido lançado em 1976, incluí Alucinação nessa lista pela importância e representatividade deste que é o melhor e mais conhecido trabalho de Belchior, que infelizmente nos deixou em 30 de abril desse ano. Admito que só procurei conhecer mais a fundo seu trabalho após sua morte, e ao me deparar com esse disco, não consegui mais parar de ouví-lo. O disco, que tem um poder lírico precioso numa sequência de canções que mesclam, protesto, suas dificuldades pessoais ao vir do nordeste tentar a vida na cidade grande e uma boa dose de sarcasmo em suas letras. Isso sem falar em "Como Nossos Pais", canção sua, porém mais conhecida como um dos clássicos na voz de Elis Regina. Pessoalmente confesso, que tomei "Cara de Sorte" para mim, e tomei a liberdade de incluir a parte em negrito na letra abaixo pela semelhança com acontecimentos pessoais ocorridos comigo: 

"Presentemente posso me considerar um sujeito de sorte
Porque apesar de muito novo, me sinto são e salvo e forte
E tenho comigo pensado: Deus é brasileiro e anda do meu lado
E assim já não posso sofrer no ano passado

Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro
Ano passado eu (quase) morri, mas esse ano eu não morro!
Ano passado eu (quase) morri, mas esse ano eu não morro!"


Pessoalmente eu, Tiago Neves, desejo a todos um excelente 2018 repleto de realizações, muita música, paz e Luz em suas vidas! 

E que todos nós continuemos nos considerando "caras de sorte"! ;)